NOVO DOCUMENTÁRIO DE EDUARDO HUNTER MOURA, “TENÓRIO E OS SONHOS DE JUDÔ” ACOMPANHA O MAIOR JUDOCA PARALÍMPICO DA HISTÓRIA NUMA JORNADA PELO JAPÃO

Um novo capítulo da trajetória de Antônio Tenório da Silva, o mais vitorioso judoca paralímpico de todos os tempos, está previsto para chegar às telas ainda em julho deste ano, em canal/plataforma que será anunciado brevemente. Pouco mais de dez anos depois de lançar o seu longa-metragem de estreia, o premiado “B1 – Tenório em Pequim” (2010), Eduardo Hunter Moura foca novamente as lentes no personagem. No documentário “Tenório e os Sonhos de Judô”, o diretor acompanha o atleta e a seleção paralímpica ao Japão – berço da centenária arte marcial – em uma jornada de 25 dias de treino, incluindo uma rara sessão de treinamentos com a tradicional seleção paralímpica do país oriental, como parte da preparação para os jogos de Tóquio.

O embrião do novo filme foi concebido ainda em 2016, meses antes do início das Paralimpíadas do Rio, quando diversos atletas perderam seus patrocínios do governo,  devido à grave crise política e econômica pela qual o país atravessava. Por conta da amizade construída nas filmagens de “B1”, Tenório pediu ajuda ao diretor e juntos criaram uma campanha de financiamento coletivo para tentar viabilizar a sua última etapa de treinamento para os jogos.

Embora o resultado financeiro do projeto tenha sido aquém do esperado, o esforço conjunto fortaleceu ainda mais o laço entre ambos e, mesmo com quase nenhum apoio financeiro, o judoca terminou a competição com a prata no peito, a sexta medalha de sua carreira. Após a cerimônia de premiação, dentro da arena, o diretor aguardava por Tenório, sem o seu conhecimento, no corredor final por onde passaria, para parabenizá-lo. Quando reconheceu a voz do amigo, o judoca tirou a medalha do pescoço e ofereceu para que a segurasse, algo que não havia feito por mais ninguém.  

“Esse momento ainda me comove e diz muito sobre o nosso relacionamento. Depois, pelo telefone, eu brinquei que se ele fosse ao Japão eu iria junto. Dois anos mais tarde lá estava eu embarcando nesse projeto”, recorda.

Apesar da “promessa” feita nos bastidores da Rio 2016, realizar um segundo documentário sobre o Tenório era algo distante na cabeça do diretor. A ideia começou a tomar corpo quando percebeu que havia uma nova história para contar, com linguagem e narrativas diferentes do filme anterior, onde Tenório dividiria o protagonismo com os outros membros da seleção e a própria locação. Esse documentário seria menos focado no aspecto esportivo e mais na intimidade dos personagens e na jornada deles por um país com uma cultura tão distinta.

“Mesmo que os dois filmes tratem do mesmo protagonista, ‘Tenório e os Sonhos de Judô’ também apresenta o resto da seleção e, com humor e leveza, conta a superação diária desses atletas na viagem. Nesse filme Tenório já ocupa uma posição de líder experiente, está mais maduro e generoso, entende seu legado e os caminhos que abriu para que a seleção estivesse lá com ele”, conta Eduardo. “A inspiração passa um pouco pelo filme ‘Encontros e Desencontros’, da Sofia Copolla. Como seria Tenório viajando pelo Japão, agora mais velho, cansado de viajar, mas tendo que lidar com sua rotina em um país estranho? O que encontraria? Entendi que esse cenário e os personagens do Japão trariam uma camada a mais de interesse. Esses encontros e desencontros de comunicação, de sensibilidade diferenciada, de humanidade”, continua.

Homenagear na tela o país sede da 32ª edição dos Jogos Olímpicos já era uma vontade antiga do diretor, cuja paixão pela cultura japonesa fica patente tanto pelo conceito estético quanto pela trilha sonora original do projeto, de autoria de Ricardo Dias Gomes e Jonas Sá. E a sua experiência como documentarista na última década – em trabalhos como “Hei de Torcer” (ESPN), “O que faz um Campeão?” (Sportv), “Sonhadores” (Sportv) e o filme da Cerimônia de Abertura dos Jogos Paralímpicos no Rio, entre outros – foi o que deu a segurança de que poderia realizar outro longa-metragem. 

“Apostei com convicção em fazer outro filme com o Tenório porque ele é um personagem carismático e sensível com uma história rica e inspiradora. Busquei uma linguagem narrativa leve e fluida, com intimidade e profundidade, que valorizasse e humanizasse os personagens de maneira natural”, afirma.

O processo de pré-produção foi célere. Em maio de 2018, o diretor solicitou a permissão à CBDV (Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais) para acompanhar a equipe brasileira e em junho já estava a caminho do Japão. Ele desembarcou no país alguns dias antes da delegação do Brasil, pois havia marcado uma reunião com a Federação de Judô na esperança de conseguir autorização para filmar a seleção japonesa – o que ainda não tinha. O diretor sabia que o filme seria menos interessante sem a participação da seleção local.

“Foi uma reunião trilingue de duas horas na sede da Federação Paralímpica em Tóquio, em que me apresentei e mostrei o projeto, explicando de maneira clara, direta, e respeitosa o que queria fazer. Ao final, eles aceitaram. Minha relação com eles estava somente começando e saí do meu primeiro dia de Japão com a rara permissão de filmar a seleção japonesa”, lembra.  

Financiado com os próprios recursos de sua produtora, a Hunter Filmes, o documentário, segundo o diretor, “sempre contou com uma dose de risco calculado”.

Mesmo sem a certeza de que voltaria do Japão com um filme embaixo dos braços, de que conseguiria patrocínio e de que conseguiria terminá-lo com a qualidade necessária a tempo dos Jogos Paralímpicos, ele mergulhou de cabeça, acumulando na viagem as funções de diretor, produtor, roteirista e segunda câmera.

“Por conta do risco, acho que o compromisso e a dedicação de fazer o filme dar certo foram ainda mais extremos, bem como o apreço e o cuidado pela maior qualidade possível”, analisa. 

Na jornada pelo Japão, além da equipe composta pelos brasileiros Alexandre Ramos (direção de fotografia) e Davi Paes (som direto), o diretor contou o apoio de uma produtora e um assistente de câmera locais. Os créditos incluem ainda Mariana Bentes (produção executiva);  Tainá Diniz, Moema Pombo e Rodrigo Ambar (montagem); Vinicius Leal e Daniel Vellutini (edição de som); Jesse Marmo (mixagem) e Emilio Rangel (direção de arte). 

“Foram muitos desafios e obstáculos, ainda mais por se estar filmando no Japão. Mas hoje penso nos aprendizados, e vejo a história dessa aventura como uma de realização. E essa capacidade de realização nas adversidades vou carregar sempre comigo, tanto eu quanto a Hunter Filmes”, reflete.

Foi só em maio de 2021 que Tenório e os outros integrantes da seleção masculina tiveram a oportunidade de assistir ao filme, num intervalo da competição que disputavam no Azerbaijão.  

“Ouvi todo o filme, junto com a seleção masculina, com as áudios descrições. Elas parecem traduzir muito bem as cenas, que, aliás, pelo que integrantes da equipe técnica me contaram, são muito bonitas e muito bem filmadas. Achei o filme magnífico e fiquei muito contente. O Eduardo é um irmão que Deus me deu e só tenho a agradecer por nossa amizade”, afirma Tenório, que, com 50 anos completados em 2020 e recentemente recuperado de duas semanas de internação por conta de Covid-19, vai em busca de sua sétima medalha Paralímpica em Tóquio. 

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